O governador Luiz Fernando Pezão e o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, assinaram um convênio para revitalizar a Central do Brasil.  Sem data para a entrega, a proposta prevê melhorias na estação e no entorno, é o que informa uma reportagem do Jornal O Dia de ontem.

Mas o que me chamou a atenção foi o investimento de R$ 300 milhões de reais para a construção de um shopping center pela Supervia. Não há detalhes de onde virão os recursos.

A modernização da Central do Brasil de fato beneficiará a população de um modo geral, porque a Central do Brasil atende moradores de diversas regiões da cidade e de municípios da baixada fluminense, mas em relação à construção do shopping, penso que deveria ser delegado à iniciativa privada, por meio de uma parceria público-privada e os recursos da Supervia destinados à requalificação das estações de trem dos municípios da região metropolitana e mesmo assim, depois de ouvir os moradores e comerciantes do entorno, porque quem dá vida ao lugar é quem mora por ali, portanto, é preciso ouvir quem conhece a rotina do lugar para saber o que realmente é necessário. Muitas vezes, o grau de investimento para recuperar a região é abaixo daquilo que o governo propõe.

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No final de 2016, visitei o centro de operações da Supervia integrando uma comitiva do Fórum de Mobilidade Urbana do qual faço parte desde 2015. Fomos muito bem recebidos e tivemos a oportunidade de conhecer as salas de controle e conversar com os funcionários.

No entanto, há questões como acidentes nos ramais como atropelamentos e lesões que ascendem o debate a respeito da segurança para o usuário, inclusive do entorno imediato dos ramais.

Há situações graves relatadas por usuários como os vãos entre os trens e as plataformas, que em alguns casos chegam a 80cm.

Me coloco muitas vezes no lugar de um neto ou filho que tem uma mãe ou avó que precisa viajar todos os dias de trem utilizando este tipo de plataforma de embarque. O risco de acontecer algum acidente é muito grande. Até mesmo em relação a uma criança ou uma pessoa de baixa visão, o mesmo em relação a pessoa com mobilidade reduzida.

Há dias, publiquei aqui no blog um relato sobre a apresentação de dados sobre acidentes em trens urbanos, que ocorreu no Instituto de Estudos da Religião – ISER, com sede na Glória. Veja aqui.

Penso mais. Se a prefeitura e o estado desejam melhorar o entorno da Central do Brasil, é muito bem-vindo, mas em relação ao estado, principalmente, é preciso um olhar mais crítico para a situação das estações da zona norte e da baixada fluminense.

O estado do Rio, mesmo falido, precisa planejar melhor as suas ações e definir estratégias. A qualidade do sistema de transporte de uma região metropolitana é uma delas. Não há desenvolvimento econômico sem um sistema de transportes eficiente, seguro e acessível.

Espero que este tema seja mais amplamente discutido porque não podemos mais continuar investindo recursos públicos em intervenções emblemáticas, sem considerar onde realmente estão as pessoas.

 

 

O desemprego é um dos maiores problemas dos municípios do interior e no caso do Noroeste Fluminense, a falta de representação política para conduzir a apresentação de propostas junto ao governo estadual e federal vem causando, num contexto geral, o agravamento do atraso socioeconômico da região.

A população do Noroeste Fluminense é representada por 262 mil eleitores no contexto estadual (considerando os números das eleições de 2016). Este número de eleitores é suficiente para assegurar a eleição de nomes com domicílio eleitoral no Noroeste. Além da eleição de nomes locais, que terão mais habilidade para defender os interesses da população, é preciso ter propostas que possam ser discutidas dentro do melhor contexto republicano.

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Autor: Guilherme Fonseca

Plano de longo prazo para superarmos o atraso econômico do Noroeste Fluminense

Considerando outras rodovias importantes e estratégicas para o extremo Noroeste Fluminense,  o traçado previsto para a EF 354 (Ferrovia Bioceânica) e a proposta que venho defendendo de criação de uma Zona Franca do Noroeste Fluminense (em território pré-definido), publico acima uma imagem esquemática e abaixo comento cada uma das propostas.

EF 354 – ver legenda na imagem

O traçado previsto para a ferrovia Biocênica EF 354, que vindo de Minas Gerais entra no estado do Rio pelo município de Laje do Muriaé, cruza a RJ 116 nas imediações de Venda das Flores (distrito de Miracema) e mais a frente entra na região de Itajara (distrito de Itaperuna) indo em direção ao município de São José de Ubá, que por sua vez cruza a RJ 186/BR 393 e segue tendo como ponto final o Porto do Açu em São João da Barra.

Sítio da Zona Franca do Noroeste Fluminense – ver legenda na imagem

Defendo a criação de uma Zona Franca para o Noroeste Fluminense, dentro de um sítio delimitado que permita a concentração de investimentos em infraestrutura e logística que viabilizem de fato e de direito a instalação de indústrias na região, amparadas, obviamente, por uma tributação especial de ICMS, além de todo um planejamento ambiental e urbano no local, evitando com isso que a zona franca se torne um problema ambiental ao invés de representar uma solução para o desenvolvimento econômico do Noroeste Fluminense.

Estrada do Contorno – ver legenda na imagem

A Estrada do Contorno de Itaperuna tem seu traçado com origem na jurisdição da BR 356 e sua obra sob a responsabilidade do DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.

O Plano Diretor de Itaperuna faz menção ao Contorno que há décadas aguarda para sair do papel.

O objetivo principal da Estrada do Contorno é retirar o tráfego da BR 356 do perímetro urbano de Itaperuna.

O traçado em verde representaria o 1º trecho da Estrada do Contorno a partir da BR 356, de quem vem de Campos.

RJ 210 – ver legenda na imagem

Esta rodovia estadual que torna-se estratégica dentro deste contexto pensado até aqui, porque ela viabilizaria o acesso rodoviário principal para a área onde seria implantada a zona franca, que fica compreendida num sítio que permitiria conexão direta com a RJ 116 e a cidade de Itaperuna, nas imediações do Aeroporto Regional de Itaperuna e como prevê o Plano Diretor do município, com a zona industrial da cidade, que fica próxima a região do Aeroporto. Além disso, o traçado da RJ 210 serve como trecho da Estrada do Contorno (2º trecho) tão necessária para Itaperuna, caso, fosse alterado a localização do traçado. Neste outro texto publicado aqui no blog eu justifico as razoes para a mudança do traçado – leia aqui.

RJ 220 – ver legenda na imagem

Em azul, tracei o prolongamento da RJ 220 até um entroncamento com o traçado da RJ 210. Este seria outro trecho que poderia ser utilizado para satisfazer a proposta da Estrada do Contorno de Itaperuna (3º e último trecho) e ao mesmo tempo melhorar a ligação dos municípios de Natividade, Varre-Sai e Porciúncula, além de parte da zona da mata mineira com os municípios de Tombos, Carangola e Espera Feliz, ao futuro sítio da zona franca.

RJ 116 – ver legenda na imagem 

E por fim, a RJ 116, sendo prolongada até a RJ 220 pela região de São Lourenço, beneficiaria diretamente a cidade de Laje do Muriaé, que teria enfim, o desvio do tráfego do centro urbano, que transforma o cotidiano da cidade um caos. O traçado da RJ 116 entre a BR 356 (em amarelo) e a RJ 220 estimularia a mobilidade de uma região agrícola, tornando-se uma via estruturante e uma alternativa além da RJ 220 e da RJ 214 (Estrada de Raposo).

 

 

O voo livre, enquanto esporte, tem potencial para impulsionar a atividade turística no Noroeste Fluminense, contribuindo para o desenvolvimento econômico, para a geração de novos postos de trabalho e o aumento da renda no município e região, tão carente de empregos.
Porciúncula já foi sede de uma etapa do 8º Campeonato Brasileiro de Voo Livre, em 1982, e oferece condições ambientais para sediar campeonatos mundiais. Para que esse potencial se transforme num propulsor econômico, eu defendo a criação do Monumento Natural e o Parque Estadual do Voo Livre, de forma que seja preservada a montanha e no terreno onde estão as rampas de decolagem e sejam feitos investimentos em infraestrutura e equipamentos como restaurante, pousada e até um escola de voo livre, com instrutores para oferecer aulas de voos, podendo oferecer até voos turísticos.